Pular para o conteúdo
Feitio Pedagógico IA Fazer pedido

Caderno de práticas · Fim do ano letivo

Fanzine e poesia blackout: duas atividades leves para o fim do ano

Pouco material, muita criação e um resultado que cada estudante leva para casa. Aqui está o passo a passo das duas, com exemplos prontos, adaptações para cada etapa e um jeito bonito de fechar o ano com a turma.

Por professor de Língua Portuguesa da rede públicaLeitura de 9 minutos

À esquerda, um fanzine chamado Recreio, com letras recortadas e a foto do pátio; à direita, uma poesia blackout com céu noturno, lua e duas crianças de mãos dadas, onde sobraram as palavras o tempo corre mas a amizade fica
  • Etapas1º ano ao Ensino Médio e EJA
  • Tempo1 a 2 aulas cada
  • MaterialFolha A4, tesoura, cola, páginas usadas
  • ResultadoUm livrinho, um poema e um varal

Quando chegam as últimas semanas de aula, a turma já está com a cabeça nas férias, as provas acabaram e sobra pouco tempo para começar algo grande. É justamente aí que atividades curtas, com cara de ateliê, funcionam: cada estudante produz algo seu, lê o que escreveu para os colegas e vai para casa com um registro do ano.

O fanzine e a poesia blackout cabem nesse momento porque pedem pouco material, aceitam qualquer nível de escrita e terminam numa peça que dá orgulho de mostrar. Dá para fazer as duas na mesma semana, ou escolher uma só.

Fanzine: um livrinho de 8 páginas feito com uma folha só

Fanzine (ou só zine) é uma revistinha artesanal, feita à mão, com recortes, desenhos e texto. A palavra vem de fan + magazine: começou como revista de fã e virou um jeito livre de publicar qualquer assunto. Na escola, ele é perfeito para o fim do ano porque cada página é curta e o estudante decide o que vai em cada uma.

O formato mais prático é o minizine de uma folha: com uma folha A4, uma dobradura e um único corte, você tem um livrinho de 8 páginas, sem grampo e sem cola.

Lista de materiais do fanzine: uma folha A4 ou sulfite, tesoura e cola, recortes de letras e imagens, canetinhas e lápis de cor e um tema; ideias de tema como Meu ano em 8 páginas, O que aprendi e vou levar, Recado para a turma do ano que vem, Um poema ou uma história
O que separar antes da aula. Revistas, jornais e livros descartados viram banco de letras e imagens.

Materiais

  • 1 folha A4 ou sulfite por estudante (e algumas extras para rascunho);
  • tesoura e cola em bastão;
  • revistas, jornais, panfletos e livros que iam para o lixo, para recortar letras e imagens;
  • canetinhas, lápis de cor, giz de cera e, se houver, fita colorida, carimbos e adesivos;
  • um tema combinado com a turma.

Como dobrar o fanzine: passo a passo

  1. Dobre e marque

    Dobre a folha ao meio três vezes (comprido, largura, largura de novo) e abra. Ficam 8 retângulos marcados pelos vincos.

  2. Faça um corte só

    Dobre a folha ao meio pela largura e corte o vinco do meio, só entre os 2 retângulos centrais. Abra: há um buraco no meio da folha.

  3. Empurre e feche

    Dobre no comprido, segure as pontas e empurre para o centro até o buraco abrir e a folha formar um sinal de mais (+). Feche as abas como um livrinho: a capa fica por fora.

Desenho da dobradura em 3 passos: folha com 8 retângulos marcados, corte no centro entre os dois retângulos do meio e a folha empurrada em forma de mais até virar um livrinho
A dobradura em 3 passos. Teste antes numa folha de rascunho: depois da primeira vez, ninguém esquece.
Dica que evita página de cabeça para baixo

Peça que a turma dobre o livrinho primeiro e numere as páginas a lápis, bem de leve (capa, 1 a 6 e contracapa). Depois é só abrir e desenhar. Metade das páginas fica de ponta-cabeça na folha aberta, e é assim mesmo: quando dobra, tudo se acerta.

Como planejar as 8 páginas

Antes de colar qualquer coisa, cada estudante faz um rascunho rápido do que vai em cada página. Funciona bem pensar o zine como uma pequena história, com começo, meio e fim:

PáginaO que pode irNo exemplo “Mar”
CapaTítulo com letras recortadas, nome do autor, turma“MAR”, releitura da crônica de Rubem Braga, 8º ano B
Páginas 1 e 2Começo: onde, quando, quem“Eu nunca tinha visto o mar…” com uma foto de revista colada com fita
Páginas 3 e 4O acontecimento, a descoberta“…e ele era maior que o céu!”; “O mar não cabe no olho”, com desenho de três amigos
Páginas 5 e 6Detalhes, sentimentos, uma lista, um desenho grandeOndas desenhadas, palavras soltas como “sal” e “verão”
ContracapaUm recado final, uma pergunta, a data“Para quem ainda vai ver o mar pela primeira vez”

Exemplo: o fanzine “Mar”

Neste exemplo, a proposta foi fazer uma releitura da crônica “Mar”, de Rubem Braga. O texto do zine é do estudante: ele não copiou a crônica, contou a própria primeira vez diante do mar. Repare como a página mistura três linguagens: letras recortadas de revista, uma imagem colada com fita e desenho feito à mão.

Capa do fanzine Mar, com letras recortadas em rosa e preto, o texto releitura da crônica de Rubem Braga e ondas desenhadas
Capa: título em letras recortadas e ondas em lettering.
Foto de dois fanzines prontos sobre uma carteira escolar de madeira, com lápis de cor ao redor
IA Ilustração gerada com IA (vidIQ) a partir das páginas do exemplo.
Páginas internas do fanzine Mar: à esquerda, Eu nunca tinha visto o mar e ele era maior que o céu, com uma foto de praia colada com fita; à direita, O mar não cabe no olho, com três bonecos de palito diante das ondas
Páginas 2 e 3: frase curta, imagem colada e desenho. Pouco texto por página deixa o zine mais forte.

Ideias de tema para o fim do ano

  • Meu ano em 8 páginas: um momento marcante por página.
  • O que aprendi e vou levar: conteúdos, amizades, descobertas.
  • Recado para a turma do ano que vem: dicas, avisos e segredos da escola.
  • Zine da turma: cada estudante faz uma página e o professor monta um zine coletivo, como o “Recreio” da imagem de capa.
  • Releitura de um texto lido no ano: uma crônica, um conto, um poema reescrito com a cara do estudante.
Capa de um zine da turma chamado Recreio, com letras recortadas coloridas, uma foto do pátio colada com fita rosa e a frase bola, corda e risada
Zine coletivo “Recreio”: letras recortadas, foto colada com fita e lettering.
Vale scrapbooking e lettering

Fita colorida, carimbo, adesivo, papel de presente, letra desenhada com sombra… O zine aceita tudo. Para quem diz que “não sabe desenhar”, recorte e colagem resolvem: o importante é a escolha do que entra em cada página.

Poesia blackout: o poema já está escondido na página

Na poesia blackout (também chamada de poesia apagada), o estudante pega um texto que já existe, uma notícia, uma página de revista ou de um livro descartado, escolhe algumas palavras na ordem em que aparecem e cobre todo o resto. O que sobra é um poema novo. A técnica ficou conhecida com o escritor Austin Kleon, que fazia poemas riscando colunas de jornal com caneta preta, e é parente da “poesia encontrada”.

Ela funciona muito bem com quem trava diante da folha em branco: as palavras já estão ali, é só ler com atenção e escolher. E ainda treina leitura, vocabulário e concisão sem parecer exercício.

Página de texto quase toda coberta de preto, onde sobraram as palavras o ano passou mas a gente ficou maior, formando um poema
“o ano passou, mas a gente ficou maior”: o poema que sobrou depois de cobrir o resto da página.

Poesia blackout: passo a passo

  1. Escolha e leia

    Uma página usada: jornal, revista, livro descartado ou um texto xerocado. Leia inteira, sem pressa, antes de marcar qualquer coisa.

  2. Circule a lápis

    Circule as palavras do poema na ordem em que aparecem na página, de cima para baixo. De 5 a 15 palavras costuma dar certo. Leia em voz baixa para ver se faz sentido.

  3. Cubra e ilustre

    Cubra o resto com canetinha ou guache, preta ou colorida, e junte desenhos e traços próprios ao poema. O desenho pode ser o próprio “apagador”: um céu, um mar, um campo que esconde as outras palavras.

Desenho dos três passos da poesia blackout: página de texto, palavras circuladas a lápis e o resto coberto com faixas coloridas e um sol desenhado
Os três passos. A cobertura não precisa ser preta: cores e desenhos deixam o poema mais pessoal.

Exemplo: da notícia ao poema

Uma notícia comum, dessas que iam para o lixo, vira matéria-prima. Este é o texto original:

Lado a lado: à esquerda, a página com o desenho de mar, sol e barco cobrindo o texto e deixando à vista as palavras do poema; à direita, a notícia original Último sinal encerra semestre
Depois e antes: o desenho do mar e do céu é o que esconde as outras palavras.

A estudante leu a notícia “Último sinal encerra semestre”, circulou as palavras a escola ficou, em silêncio, mas, cada um, levou, um pedaço e do ano, e cobriu o resto pintando um mar com sol e barco. O poema que sobrou:

a escola ficou em silêncio,
mas cada um levou
um pedaço do anoPoesia blackout feita a partir de uma notícia de jornal.

Foto da página de jornal com a notícia Último sinal encerra semestre sobre uma carteira escolar, ainda sem pintura
IA Antes: a página de jornal. Ilustração gerada com IA (vidIQ).
Foto da mesma página depois da poesia blackout, pintada com mar azul, sol amarelo e um barquinho, mostrando só as palavras do poema
IA Depois: o blackout pronto. Ilustração gerada com IA (vidIQ).

Outro exemplo, com cobertura colorida: o céu de noite, a colina e as duas crianças escondem as palavras que não entraram.

Poesia blackout com céu noturno estrelado, lua, colina verde e duas crianças de mãos dadas; as palavras que sobraram formam o tempo corre mas a amizade fica
“o tempo corre, mas a amizade fica”.

Experimente aqui: faça o seu blackout

Toque nas palavras que vão ficar, na ordem do texto. Depois toque em “Apagar o resto”. Dá para mostrar na TV da sala antes de a turma ir para o papel.

Último sinal encerra semestreCom o fim das provas, a escola ficou praticamente vazia nesta semana e os corredores entraram em silêncio depois do último sinal. A direção informou que o calendário foi cumprido, mas ainda há entregas de boletins e reuniões. Segundo a coordenação, cada um dos estudantes recebeu um kit de leitura e levou para casa os trabalhos feitos em sala, como um pedaço da história do ano que termina.

0 palavras escolhidas. De 5 a 15 costuma dar certo.

Cuidados

Livro da biblioteca, não! Use só páginas que iam para o lixo: jornal velho, revista doada, livro descartado ou um texto xerocado.

Leia as notícias antes de entregar à turma, para evitar temas pesados ou que exponham alguém da comunidade.

Para fechar: o varal de zines e poemas

Na última aula, estique um barbante na sala (ou no corredor) e pendure tudo com prendedores. Fica bonito e dá sentido ao trabalho: o que foi feito vai ser visto.

Varal com fanzines e poesias blackout pendurados por prendedores, e a lista: cada aluno lê uma página ou um verso em voz alta, os zines circulam pela sala antes de ir para casa, fotografe o varal
O varal vira o registro do ano da turma.
  • Roda de leitura: cada estudante lê uma página do zine ou um verso do blackout em voz alta.
  • Troca: os zines circulam pela sala antes de ir para casa; quem quiser deixa um bilhete no verso.
  • Registro: fotografe o varal (sem o rosto dos estudantes, se não houver autorização). É a memória do ano.

Adaptações para cada etapa

EtapaFanzinePoesia blackout
1º e 2º anosZine de desenhos com uma palavra ou frase por página; a folha já vai vincada.Texto curto em letra bastão grande; o professor sugere 3 a 5 palavras e a turma escolhe entre elas.
3º ao 5º ano“Meu ano em 8 páginas”, com frases curtas e recortes.Notícia curta ou trecho de livro; de 5 a 8 palavras; cobertura colorida com desenho.
6º ao 9º anoReleitura de um texto lido no ano ou zine temático (esporte, música, games).Notícias e reportagens; discutir o sentido novo que as palavras ganham fora do contexto.
Ensino MédioZine de opinião, de memórias do ciclo ou de despedida da escola.Páginas de clássicos descartados ou de textos do Enem; comparar o poema com o texto de origem.
EJAZine de memórias: “o que eu aprendi este ano”, receitas, histórias de família.Notícias do bairro ou da cidade; valorizar a leitura do mundo de cada estudante.
Versão com apoio

Para estudantes em processo de alfabetização ou com deficiência, entregue a folha do zine já dobrada e numerada, e a página do blackout com algumas palavras já sublinhadas como sugestão. Letra maior e menos texto na página ajudam a turma toda.

O que a turma aprende

  • Leitura atenta: no blackout, ler a página inteira e escolher palavras é um exercício de compreensão e vocabulário.
  • Produção de texto com propósito: o zine pede planejamento, sequência e revisão, e tem leitores de verdade.
  • Multimodalidade: texto, imagem, cor e diagramação conversam, como nas práticas de linguagem do campo artístico-literário da BNCC.
  • Oralidade: a roda de leitura no varal dá voz a quem quase não fala em sala.

Para avaliar sem pesar, observe três pontos: se o estudante planejou as páginas ou as palavras, se o resultado tem sentido completo e se ele participou da leitura final.

Perguntas frequentes

Dá para fazer o fanzine sem tesoura?

Dá. Sem o corte, a folha dobrada vira um livrinho sanfonado de 8 partes. A tesoura só é necessária para o corte central do minizine; o professor pode fazer esse corte antes.

Qual papel funciona melhor para a poesia blackout?

Jornal e páginas de livro aceitam bem canetinha; para guache, prefira papel mais grosso ou cole a página numa folha sulfite antes de pintar. Textos xerocados também funcionam e permitem que a turma toda use a mesma página.

Quanto tempo leva cada atividade?

O blackout cabe em uma aula de 50 minutos. O fanzine costuma levar duas: uma para planejar e dobrar, outra para montar e ilustrar. O varal fecha em uma aula.

Dá para fazer no computador?

Sim. O blackout pode ser feito num editor de texto, pintando de preto o fundo das palavras que saem; o zine, num editor de slides com 8 quadros. Mas o papel tem uma graça que a tela não tem, e a turma leva o resultado para casa.

Posso juntar as duas atividades?

Pode e fica ótimo: o poema blackout vira uma das páginas do zine. É um jeito de fazer as duas em menos aulas.

Texto e revisão: por professor de Língua Portuguesa da rede pública, com apoio do Claude (IA, da Anthropic). As fotos sobre a carteira são ilustrações geradas com IA no vidIQ. Conheça quem faz a Feitio.